um jornalista sem medo
O bar de Reinaldo começou a ser ponto de encontro para aqueles que queriam usufruir dos favores da arbitragem. Dirigentes e árbitros encontravam-se assiduamenteno local, mas nunca tinham um contacto directo, uma situação que foi sempre muitobem controlada, para que não houvesse fugas de informação, tanto em relação a favores como aos preços estipulados. Lentamente, foi criada uma bem organizada rede de corrupção na arbitragem gerida, por cima, por Reinaldo Teles, contando este com um assistente directo: Jorge Gomes.Os árbitros das mais variadas regiões, logo que pisavam o chão da cidade, iam de imediato ao encontro de Reinaldo.
PC queria uma organização perfeita e o controlo absoluto sobre todas as situações. Masos jornalistas eram indiscretos e perigosos para o negócio. Não era muito saudável quese levantassem muitas suspeitas, e esse sector tinha também de começar a ser muito bem controlado. Pinto da Costa sabia insinuar-se e cativar. Quando lhe convinha,promovia encontros com directores de jornais e, de uma forma desinteressada,começava a gabar-lhes os feitos e o trabalho. Incentivados pela guerra estabelecida pela concorrência e sabendo que quem obtivesse maior número de informações junto dos grandes clubes era quem mais vendia, ninguém se negava a esses encontros. Era impossível, porém, controlar toda a gente e, através de algumas acções de intimidação,estabeleceu-se um clima de medo para os que teimavam em mostrar-se independentes. Normalmente às quartas-feiras, o presidente reunia-se com os jagunços e indicava-lhesqual o jornalista que tinha de ser encostado e insultado. Nos dias dos jogos, os capangas passeavam livremente pelo camarote da Imprensa e, através de insultos e ameaças, exerciam uma tremenda pressão sobre alguns jornalistas. A intenção era clara:promover o medo e o consequente silêncio. Durante a semana, quem tivesse o atrevimento de não analisar uma situação conforme lhes convinha podia ter a certeza que tinha à sua espera na primeira oportunidade alguém com o seu jornal na mão a ameaçar que o fazia engolir aquele pedaço de papel.Pinto da Costa era mestre na política da divisão, e ao longo dos tempos foi criando divisões entre os jornalistas, porque tinha consciência do perigo que representavam quando todos se resolvessem unir e impor os seus direitos. A organização era-lhe favorável, e ele sabia como jogar todos os seus trunfos. Um negócio implantado no seio da arbitragem, Olivedesportos e a agênciade viagens Cosmos estavam a facturar como nunca. Tinha conseguido vários exclusivos que lhe permitiam efectuar o mais variado tipo de operações, sobre facturando sem medo de poder ser contestado. Tinha o presidente federativo na mão, e até nem foi muito difícil conseguir isso. Dava-lhe gozo colocar os da capital atrabalhar para a sua organização.
Marinho foi espancado algumas vezes e foi entrevistado uma vez quando rebentou o apito doirado , sendo posteriormente afastado das cameras de televisão, certamente alguem foi avisado de quem era este senhor!

0 Comments:
Post a Comment
<< Home